When GEOMETRY reads POETRY… (Quando a GEOMETRIA lê POESIA…)
Esta série de trabalhos representa um corte, ou, talvez, uma progressão em pesquisas precedentes. A sua execução, sem ideias pré-concebidas e que anteriormente provinha de um expectante lançar linhas que no seu caminho delimitavam formas, tem agora um outro ponto de partida que passou a constar do método de construção de uma obra plástica.
A colocação prévia de rendas e tule sobre a tela vazia, condiciona, ou guia, as linhas que vão surgindo e as formas e cores que nascem a partir delas. É uma viagem diferente em que se vão descobrindo novas paisagens sempre tendo em mente a composição formal.
O objectivo permanece: a busca da luz, da cor, do movimento, em formas e texturas que pretendem relacionar-se em harmonia. A paleta, reduzida e minimalista – que obriga a uma sensibilidade para desmontar as cores – é realçada pela delicadeza da renda, precisão dos detalhes, pela existência de vazios. Por sua vez, o movimento, a beleza da velocidade, o dinamismo, a energia, conferem à cor novas qualidades.
De facto, estas composições procuram enunciar um problema: como fazer conviver, no mesmo campo visual, formas geométricas nuas e frias com texturas ricas e subtis, provenientes das tramas dos tecidos? Poderá, a intervenção e sobreposição desses materiais usados na colagem, humanizar esse rigor matemático vislumbrado através da transparência?
Rendas e tule parecem adicionar fantasia e mistério, escondem, ao mesmo tempo que revelam. São uma forma de dar continuidade às memórias, às vivências, mas, também, uma forma de reciclar o passado, de imortalizar, de revitalizar objectos que, com a sua carga emocional, outrora tiveram um papel, em contraste com o futuro simbolizado pela composição geométrica. Obra e Vida encontram-se no plano da criatividade.
A sobreposição de suportes, bem como o ensaio de diversos formatos, também tem aqui lugar e inaugura uma outra inovação no projecto individual. A própria composição é influenciada pela forma e conjugação das telas em “degrau”, onde repousa e onde se explorou a multitude dos formatos e do movimento que os mesmos inspiram. Com esta atitude as dinâmicas parecem exponenciar-se. Procura-se assim que a pintura saia da sua expressão pura e passe a ter um comportamento mais próximo do nosso mundo. A tridimensionalidade acaba por apelar a uma observação que se aproxima à da escultura, o que acaba por levar a uma maior intimidade e envolvência com a obra.
Detalhes do evento:
- Data: Quinta-feira, 27 de Novembro 2025
- Hora: 18:30 (Antecede momento de declamação)
- Encerramento: 8 de Janeiro 2026
- Os Combatentes - Rua do Possolo, Nº 9 Lisboa

Isabel Palma
Nasceu em Lisboa em 1959. Apesar de, desde cedo, se inclinar para as questões da arte, a sua formação e vida profissional na área da Engenharia, levam-na por outros caminhos.






